terça-feira, 3 de janeiro de 2017

A falta que minha filha me faz

Eu havia prometido escrever mais, tipo todos os dias. Talvez eu ainda não tenha aprendido que na minha vida eu não controle nada, e por isso eu ainda faça promessas que eu normalmente não consigo cumprir.

Eu prometi escrever por que eu me sinto bem fazendo isso, eu gosto de me sentar na frente do computador e escrever tudo o que me dá vontade. Mas infelizmente eu não consegui cumprir minha promessa. Eu cheguei a dezembro achando que a morte da minha mãe seria a coisa mais dolorosa que eu ia sentir, achando que tudo de ruim já havia passado, e que eu poderia olhar pra trás e dizer que pesar de tudo, 2016 foi um ano de experiências. Mas a verdade é que 2016 começou muito ruim e terminou muito pior.

Dia 21 de dezembro eu viajei com a esperança de estar colocando pra frente um sonho antigo, mas quando voltei pra casa, encontrei minha filha doente. Por favor, se você não nutre nenhum amor ou ao menos um apego por bichos, pare a leitura agora mesmo. Eu vou descartar qualquer sentimento como "quanta bobagem", "tudo isso por uma cadela", e mais inúmeras frases que pessoas que jamais entenderão o que eu estou sentido falariam.

No dia 23 de dezembro eu a levei as pressas a clinica que me diziam ser a melhor da cidade. Ela precisava de uma cirurgia, eu não tinha dinheiro, mas duas amigas em socorreram e minha filha foi operada. Passar uma noite sem ela era desesperador, mas era preciso. No sábado (24/12), eu fui buscá-la na clínica. Não pretendo mencionar todas as irresponsabilidades da mesma, mas minha filha estava em casa. Ela estava debilitada pela cirurgia e tinha dificuldades pra caminhar, comia raras vezes, mas segundo a veterinária, era tudo normal.
No dia 30/12 eu levei minha filha às pressas de volta à clinica, na data ela não comia e nem bebia nada e vomitava um liquido amarronzado. Minha filha foi deixada no soro e medicação, mas no dia 31, às 10:15h eu recebi uma ligação da minha irmã dizendo que minha filha havia falecido.

Pra resumir às 2 horas seguintes enquanto eu estava sozinha em uma sala no meu trabalho, intercalei entre chorar, apagar na cadeira e alguns momentos de total apatia antes de conseguir avisar à um amigo para chamar a enfermeira.
Depois disso eu estou tentando me acostumar com a ideia de nunca mais acordar e ver minha bebê encostada nos meus pés, de nunca mais poder me deitar, abraçar ela e beijá-la ainda no chão. Nunca mais verei seu rabinho balançando quando chego em casa. Eu nunca mais vou ver as coisas que eu via nos últimos treze anos.

Ela se foi, mas eu ainda ouço as unhas dela batendo no chão quando andava na cerâmica, eu ainda ouço ela rosnar quando um dos gatos tenta roubar a comida do prato dela, e toda vez que eu me levanto do pc , eu ainda olho pro chão pra saber se ela tá perto demais da cadeira a ponto de eu machuca-la. E aí quando eu percebo que ela nunca mais estará nos meus pés, eu choro desesperadamente. E eu simplesmente não consigo me acostumar com a ausência dela.

Esse não é um texto bonitinho com fotos e expressões de felicidade, é apenas 'eu' tentando justificar minha ausência. Em breve, voltarei à programação normal.

2 comentários:

  1. Perder um cachorro é bem assim, como se uma parte da gente fosse junto com eles, né? Ano passado perdi meus dois cachorros pequenos, sobrou só a dog alemã da minha mãe. Ela ficou mais deprimida que qualquer um de nós. Agora estamos com uma vira-lata super brincalhona. Mas o meu poodle nunca deixa de fazer falta, eu o tinha desde os 4 anos (tenho 18 agora).
    Cachorros são uns amores, não consigo viver sem!
    http://isabelamartins.com/

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    1. Minha filha era exatamente como a chamo, minha filha. Dormia comigo, me acompanhava, me entendia...Perder ela foi um chute na boca do estômago que ainda não sarou. Mas ainda tenho meus 5 gatinhos pra me fazer companhia, só não sei se conseguirei ter outro cachorro tão cedo... :-/

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